segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

"Et cognoscetis veritatem et veritas liberabit vos"


O ser humano é uma máquina automatizada na inércia - dentre seus medos - em afirmar-se em atitudes de mudança , vive , portanto , uma vida deficiente e com todas as suas reservas energéticas comprometidas , sem coragem de renascer em sua própria vida.
Moto perpetuidade de equívocos e divagadoras esperanças , de querer que algo mais aconteça , de querer que ocorra uma mudança , quando interiormente , não ocorre nada além daquilo que conhece , daquilo que pensa dominar - mas não domina - mas na verdade , mesmo que sofra , permite-se sofrer e não mudar , pois mudar pode significar , tão somente , encontrar o Incognoscível , mas que de fato o conhecimento de algo só se faz pela capacidade de interpretar e não pela pressa em julgar e desnudar todos os medos em justificativas e assim paralisar as atitudes...
Nietzsche , ao propor o eterno retorno , propôs a condição genuína do ser humano e é fato que a vida de infelizes seres tem a dominância do medo em mudar , do medo em tentar , do medo em renascer , isto acontece também pelo amortecimento do sentir ou a ausência existencial do ser , neste sentido o citado seria Sartre e o existencialismo , ou seja : A capacidade de sentir é preterida ao imediatismo das aparencias ; toma-se por verdade o infeliz senso comum , a imagem , a máscara , assim em verdade tudo o que somos é um fragmento simbólico de nós mesmos...
De todas as toxinas psíquicas acumuladas , a pior é a que alimenta um monstro que vê no espelho , todas as manhãs a negação de todas as suas esperanças , um pedaço de si mesmo , desfeito , uma estranha criatura que alimenta a sua futura depressão e em sua crescente infelicidade , não vê qua a única saída é morrer e renascer na própria vida , morrer , na mentira de sua própria interpretação e renascer , reinterpretar-se , na possibilidade de uma verdadeira vida...
Por vezes , quando uma doença surge , não é o fatal destino, vêm da miserável condição do ser de mentir-se ou omitir-se , frente a vida , vêm de sua fuga , frente a verdade da necessária luta pela evolução...
Ver ou ver-se não significa ver ou ver-se como os outros nos veem ou como nós nos vemos no cansaço traumático de nossa própria interpretação ou da nossa aceitação das mentiras , ver ou ver-se significa , ser e estar na condição de criar e renascer na criação , ou melhor , recriação de si mesmo , no recriar de outros referenciais de si mesmo , de possibilidades do que poderíamos ter sido , mas não fomos , do que podemos ser , mas não somos...
Existe um erro muito grande na atribuição dos valores para as ações humanas , as mesmas não devem estar em valorações subjetivas de fracasso ou derrota ou fazer o que pode trazer mais dinheiro e não aquilo que queremos fazer , vestir-se desta ou daquela maneira e não como queremos , disto e de tantos outros exemplos , observa-se que somos compelidos a negação em tudo e desta forma os papéis assumidos , por frágeis mascarados , transformam-se em correntes , em prisão e com a deliciosa condição de transgredir esses papéis , ou seja : Mentir no início , mentir no meio e mentir no fim , a condição de ser é a única verdade e não as circunstâncias em torno do ser , posto que assumirá as circunstâncias na medida exata da ausência de ser , ou suas interpretações tomarão o espaço que cabe a existência incólume do ser posto que as circunstâncias são preponderantes e o sub ser está em funçao das mesmas , mas se o ser estiver acima das mesmas , a necessária perspectiva , o ser está no caminho da evolução , do crescimento...
Podemos aceitar a dor como eterna , na condição , como também na ignorância que somos pó frente ao tempo ou podemos transmutar a dor em conhecimento e posterior sabedoria e assim com toda certeza será o tempo pó frente a assência do que seremos , no primeiro texto colocado neste blog ( nosce te ipsum )"Conhece-te a ti mesmo" tem uma metáfora que alude o que sentimos não somente ao que viveremos , mas como alimentaremos o ser , posto que não bastam as palavras e sim o que sentimos que ressoa a nossa essência , este ponto é muito importante , alude a qabalah e a magia da mesma e não aos recentes livros de milagres e promessas de seitas em se adquirir coisas , coisas e mais coisas para seres vazios ...
É fato que o maior atributo do ser , está em sentir o que destingue o ser , assim a lei da gravidade que mantêm em sua órbita , corpos gigantescos é infinitamente inferior a capacidade humana para o amor , posto desta forma , observa-se que o amor antecede e enquanto a lei da gravidade é condição , o amor é ser , assim os elementos de que somos compostos , transpõe o universo e todo curso do universo está em criar condições para que o ressoar flua em todas as dimensões...
A árvore aludida , portanto é que temos em nós a primazia do criador e da criação e que a mesma flue , incontestavelmente quanto mais nos aproximamos de nós mesmos , como a crisálida , poderemos cumprir com a promessa cósmica , de semear vida , em direção a consciência de ser...




Luiz Grimaldi

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